As recentes acusações de abuso de poder e corrupção a Isaltino Morais (Oeiras mais a Frente…) foram uma espécie de ultimo empurrão para eu escrever estas linhas. A minha vontade de as escrever já vem de algum tempo mas estas recentes notícias são no mínimo revoltantes, para qualquer cidadão atento e que se preocupe com ( a merda) do mundo em que vivemos.
Por si só, a simples eleição de um individuo acusado dos crimes de que o referido senhor foi acusado, já deveria ser suficiente para o afastar de um novo mandato, mas parece que, em vez disso, ainda deu um impulso extra e uma maior adesão à sua campanha e consequente vitória.
No entanto o mais inquietante e que aparentemente isto não e um apenas um caso isolado mas tem contornos de uma verdadeira tendência. Digo isto pois o senhor Isaltino foi o caso mais perto da zona onde vivo (Oeiras) mas nem foi o mais gritante. Houve quem ,inexplicavelmente, foi capaz de roubar descaradamente os contribuintes, fugir , estar um certo numero de meses fora, voltar e ( aqui vem a parte que devia fazer parte dos ficheiros secretos) ser novamente eleita para um novo mandato. Tudo com o apoio incondicional dos eleitores. Acrobacias destas parece que só mesmo em Portugal.!
Estes dois casos não são obviamente os únicos, pois o que não falta neste “paraíso” á beira mar plantado, são dinossauros da política: homens e mulheres que somam um numero aparentemente inesgotável de mandatos e, que por vezes, mais parecem verdadeiros “senhores” das terras em que foram eleitos. Isto, a meu ver , pode ser um grande problema, já que , á falta de legislação, nada os impede de usar programas políticos para benefício próprio. Por exemplo o sr. Oeiras-mais-á-frente está á frente de Oeiras á quatro ou cinco mandatos ( não sei ao certo) o que equivale a 20 anos! . Durante estes anos o que não falta é tempo para a pouco e pouco ir comprando e , através do tal programa político , ir valorizando o território; para quem não entendeu aumentando o valor da área ( por exempo com o (in)útil SATU ) para que o valor dos seus terrenos e propriedades dispare automaticamente, e possa ir enriquecendo a custa desta promiscuidade entre política e negócios privados. Por esta , e muitas outras razoes, acho que seria uma medida perfeitamente adequada reduzir drasticamente o número de mandatos que um autarca possa exercer.
No entanto este não é o ponto principal que queria focar. Na minha opinião , bem maior questão será: que raio andamos a fazer com a democracia neste país? Sim, ouviram bem!
A democracia e a liberdade política , que tanto sangue e esforço exigiram, são agora transformadas num circo popular? Como se explica que exactamente os políticos mais promíscuos, indiciados e com provas de desonestidade tenham sido não só os mais votados, como tenham vencido os seus opositores com larga vantagem?
O direito de sufrágio deveria ser respeitado como ferramenta de participação politica de todos os cidadãos, no entanto e usado levianamente no candidato mais polémico, como se de um reallity show se tratasse. Isto demonstra uma clara e generalizada falta de “educação” política e democrática.
E será ate melhor nem falarmos do papel que os media desempenham neste circo…